textos de Carlos Jorge de Souza

 

CAPAS DE JORNAIS  ou  Máquinas-carimbo

“O que há por toda a parte são mas é máquinas, e sem qualquer metáfora: máquinas de máquinas, com suas ligações e conexões. Uma máquina-orgão está ligada a uma máquina, com as suas ligações e conexões. Uma máquina-orgão está ligada a uma máquina-origem: uma emite o fluxo que a outra corta.” ( DELEUZE,1996, p.7)

 

 

Para localizar a transposição de conceitos da análise feita em O Anti-Édipo ( obra voltada a uma descontrução  histórica e ontológica da psicanálise passando pelo pensamento de Marx e Nietzsche) para o conteúdo desta pesquisa, é necessário entender o conceito de inconsciente como usina (questão de produção de inconsciente e não de representação de conteúdos do inconsciente), onde o delírio passa a ser  histórico-mundial, não familiar. A obra de Deleuze e Guattari considera existir uma história universal, que não é a da necessidade, e sim da contingência. A construção de conceitos capazes de pensar a contemporaneidade importa mais que fazer uma crítica da mesma. "O projeto é construtivista" , dizem os autores. O conceito botânico de rizoma é absorvido pelo texto do O Anti-Édipo, este conceito reconfigura-se e expande-se para o campo da psicanálise . Este conceito rizoma funciona como a porta de entrada ao pensamento deleuze-guattariano.

 

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O rizoma "(...) é feito de direções móveis, sem início nem fim, mas apenas um meio, por onde ele crescre e transborda, sem remeter a uma unidade ou dela derivar". (PELBART, 2003: 216) O rizoma não é um sistema hierárquico, é "(...)uma rede maquínica de autômatos finitos a-centrados" (DELEUZE e GUATARRI, 2004, p.28).

 

Em a Sociedade do Espetáculo,  Debord , define:  “não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediadas por imagens”; é também uma cosmovisão; resultado e projeto do capitalismo; o “modelo atual da vida dominante na sociedade”; a “afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e o consumo que decorre desta escolha; “a justificativa total das condições e dos fins do sistema existente”; “a presença permanente dessa justificativa, como ocupação da maior parte do tempo vivido fora da produção moderna”; o sentido da prática total; “a principal produção da sociedade atual”; herdeiro da filosofia baseada nas categorias do ver; “sonho mau”; etc., etc.” ( Debordb, 1997 )

 

O design como arte

A obra O Anti-Édipo, já algum tempo me serve como base  de trabalhos elaborados durante uma graduação em artes e posteriormente uma monografia  de conclusão de uma pós-graduação em sociologia urbana, necessito  apontar o local da arte como elemento de avaria segundo os autores.

 

” A arte utiliza muitas vezes esta propriedade ao criar verdadeiros fantasmas de grupo que curto-circuitam a produçõ social com uma produção desejante, e introduzem uma função de avaria na reprodução de máquinas técnicas.” ( DELEUZE.GUATTARRI, 1996,p.35 )

 

O design gráfico , as interfaces das revistas e sites, não trabalham corrompendo e avariando a comunicação das máquinas sociais. São máquinas de design ligadas  a outras  máquinas. Não pretendo aqui responder as questões que se sucedem, espero apenas neste momento, provocar a reflexão do que seria um design  com o poder da arte, ou seja ,um design que desconstrua , criando uma ferrugem social, dificultando a potencialização dos efeitos daquelas máquinas.

 

 

pois quando a arte é boa é
porque tocou no inexpressivo,
a pior arte é a expressiva

Clarice Lispector

 

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O momento:

Visita de Bush ao Brasil :8  a 10 de março de 2007

 No período de sua visita, Bush convive com o impasse militar da  invasão do Iraque, a deterioração das relações com a Rússia. Na América Latina, os aliados dos Estados Unidos perdem a maior parte das eleições. O projeto da Alca afunda, em parte devido à resistência popular e governamental latino-americana, em parte pela ausência de concessões por parte dos Estados Unidos. Os democratas ganham as eleições parlamentares. Neste contexto, Bush busca sair da defensiva. Um exemplo disso é o aumento da pressão militar, tanto no Iraque quanto contra o Irã. Outro exemplo é esta visita a alguns países da América Latina, caso do México, da Colômbia, do Uruguai e do Brasil. Fala-se que por trás estaria o propósito de criar um eixo anti-Venezuela ou de buscar alternativas energéticas para a dependência que os EUA têm do petróleo.

 


Proposta:

Análise das capas dos veículos de comunicação do período fevereiro  e março de 2007

As capas de revistas - composições sincréticas - pertencem aos sistemas semi-símbolos. Mas, o que seria o sincretismo? "No sincretismo, a imagem mais o texto formam um terceiro texto." (NASCIMENTO, 2005, informação verbal). Dessa forma, no estudo em tela, para que uma capa seja compreendida, deve-se analisar desde a foto, passando pela manchete e demais chamadas que possam figurar no espaço gráfico em questão. A compreensão desses elementos se dá enquanto um sistema semi-simbólico.

Papa João Paulo II clama por socorro:a semiótica plástica em capas da Veja
Marielle Sandalovski Santos*

 

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Introdução

Marx afirmou que, à primeira vista, a sociedade capitalista aparece como uma “imensa coleção de mercadorias” (1). Parafraseando Marx, Debord afirma que “toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação” (Debord, 1997, p. 13).

É visível a inexistência de uma verdade absoluta, em qualquer área de estudo e trabalho. Entretanto, no caso do jornalismo, vê-se que é possível desenvolver as notícias  de uma forma coerente tal que a imparcialidade pareça estar presente, sem deturpar os fatos ou manipular as idéias . Sabe-se, entretanto, a verdade dentro do jornalismo deixou de ser o elemento principal.

Para a semiótica, o sentido resulta da reunião, na fala, na escrita, no gesto ou no desenho, de dois planos que toda linguagem possui: o plano da expressão e o plano do conteúdo. O plano da expressão é o plano onde as qualidades sensíveis que possui uma linguagem para se manifestar são selecionadas e articuladas [...] O plano do conteúdo é o plano onde a significação nasce [...]. (FLOCH, 2001, p. 09, grifo do autor).

 

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Os jornais impressos

As grandes redes de informação (incluindo a tv aberta e a cabo) trabalharam o conteúdo do noticiário de diferentes formas ,delineiam caminhos que levam os leitores/espectadores a incorporar conceitos, opiniões e avaliações em torno da matéria apresentada . Esta seleção de matérias ( pauta/política editorial) e forma como são disponibilizadas categorizam o veículo e os adaptam ao seu público-alvo, contribuem para isso a diagramação de capa, no caso da mídia impressa , foco deste trabalho. A “foto de capa”- aquela de maior destaque, vinculada a um título , subtítulo e legenda, compõe um agrupamento que se faz presente em jornais impressos, podendo ser replicados no ambiente WEB através dos seus respectivos sites ( jornais online). Quando observamos capas de revistas , as fotos geralmente dão lugar a uma ilustração , que pode ser também  uma fotografia manipulada digitalmente que ocupa grande parte do espaço. Por ocasião da visita do preseidente norte-americano essas grandes  redes de informação nas edições nacionais  através de sua malha de influência  optaram , de um modo geral,  por valorizar os programas do governo brasileiro como o  Proalcool e programa do Biodiesel tratando-os como a solução a nível planetário para a questão da “energia limpa” e  de um modo geral, destacaram o presidente Lula como interlocutor para assuntos da América Latina e articulador junto ao xerife norte-americano. Cenas reproduzidas nessas mídias são predominantemente amigáveis aos interesses norte-americanos. Em muitas dessas fotos sorrisos, abraços e brincadeiras se destacam encobrindo assim aspectos pertubadores como a preocupação com o meio ambiente, economia nacional e a própria  soberania brasileira. Questionando estes assuntos, revistas eletrônicas no ambiente da Internet, sites e blogs  opositores ao regime brotam  com manifestações autênticas e em muitos casos sem maiores compromissos sócio-políticos.

 


A manchete da Folha de São Paulo prioriza um questionamento - "Divergências precedem visita de Bush" - é igual à manchete do "Globo" de dois dias antes - "Divergências já ameaçam sucesso da visita de Bush". No jornal Estado de São Paulo, na edição final: "Brasil recebe Bush, mas recusa oposição a Chávez"., o jornal começou a circular com outra manchete, "São Paulo facilita o controle da gravidez". O "Globo" jogou a visita do presidente dos EUA para o pé da capa: "Bush chega hoje sob protestos".. No "Valor", "Lula vai pedir a Bush queda gradual na tarifa do etanol". Mas a manchete do jornal econômico é outra, "Governo busca saída para viabilizar usina no Ceará"..

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ombudsman/criticadiaria/ult2114u552.shtml - MARCELO BERABA

 

 

Um pouco mais “escondidas” as manifestações anti-Bush são destaques em  publicações regionais. Pelo fato da visita ter se iniciado com o desembarque de Bush em São Paulo, jornais daquela capital cobriram amplamente as manifestações públicas de rejeição a Bush enfatizando o incômodo ao trânsito da capital paulista, eventos de bombas contra manifestantes e a onipresente na mídia “ loura do Bush”, uma mulher semi-nua que com alguns dizeres em seu corpo manifestava-se contra não sabia bem o que”...

Posteriormente, jornais do Rio de Janeiro ( Extra, O Dia e Jornal do Brasil ), destacaram a falta de ritmo de Bush durante a sua visita a uma comunidade na capital. Ao mesmo tempo que as manifestações de Hugo Chaves contra a campanha Bush na América Latina rendiam pouco destaque na grande imprensa.

 

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SITES / BLOGS /OBSERVATÓRIOS

Ficou mesmo para o ambiente da internet a pauta esclarecedora e contestadora do evento Bush no Brasil.  A oferta e diversidade de sites do tipo observatório  talvez esteja associada  à facilidade do meio eletrônico(ambiente WEB), sua dinâmica e interatividade com o usuário. O custo reduzido para a manutenção desse tipo de mídia caracteriza-o como facilitador de manifestações, tanto das esquerdas como de outras correntes do pensamento político. Não há tanta preocupação com trocadilhos visuais, característicos dos grandes jornais impressos, fotos e legendas ancoradas a um título e/ou subtítulo que estão sempre presentes nas capas das revistas e  jornais de circulação nacional. Na  maioria dos blogs isto dá lugar a uma espécie de colagem  facilitada pelos recursos digitais principalmente as ferramentas de busca de imagens e textos daquele meio.


1- REVISTA Caros Amigos

”A passagem de um Proálcool brasileiro para um “Proálcool mundial”ou o que o Bush veio fazer aqui?"

Ao contrário das revistas que se destacam através das malhas do interesse das grandes detentoras dos meios de comunicação, a revista Caros Amigos apresenta um painel explícito do conteúdo dos principais acontecimentos . De forma precisa este veículo esclarece aspectos encobertos pela grande midia.

Capa da revista Caros Amigos nº 120 de março de 2007

A capa da edição nº 120 de março, demonstra  através da carga tipográfica a densidade de interesses e objetivos do governo norte-americano na figura do seu presidente e  ao mesmo tempo  também cria uma  expectativa  no leitor de uma resposta através  do conteúdo da matéria em seu interior. A capa impulsiona o leitor  para a busca de  respostas e denúncias. A palavra “BUSH” em vermelho , à frente, dialoga com  a seqüência: “ O que está por trás...” no próprio título. Dois pontos de interrogação se contrapõem. Um à frente, em “vermelho explícito” e um segundo de dimensões maiores porém definitivamente “muito bem escondido”. Sem fotos de capa  a revista lança mão da tipografia como recurso visual, ampliando seu potencial, este já não atua simplesmente como mera unidade da escrita textual.

Depois da visita do presidente Bush ao presidente Lula no início de 2007, as discussões sobre a substituição pelo etanol do consumo da gasolina no sistema automotivo norte-americano ganharam as manchetes e o antigo Proálcool brasileiro ganhou foro internacional.

“Por isso, a discussão em geral escapa para uma versão estritamente mercantil privada quando, na verdade, é o custo social da opção “Brasil, grande canavial” o grave problema que se nos coloca no presente”-  Caros Amigos nº 120 de março de 2007.

 

 

1.2 – Revistas Veja e Época

A edição da semana anterior à visita de Bush trata de assunto religioso bem como a revista Época. Ambas dedicam todo o destaque de capa para o assunto canonização de Frei Galvão.

Na semana da visita do presidente norte-americano o asssunto em destaque na capa é estética feminina, com apenas um banner como chamada de capa para a matéria: “ ETANOL-por que o Brasil pode ser o líder mundial da energia limpa energia limpa” – referência ao Proalcool. Posteriormente, continua sem destaque a passagem de Bush pelo Brasil, a Veja trabalha o “sonho da casa própria da classe média  e justifica apontando para as novas facilidades do financiamento.

Com a mesma política editorial de Veja anterior porém com conteúdo menos denso e de mais fácil leitura ( menos texto e mais ilustração), na mesma semana em que a Veja destaque a religião através do assunto Frei Galvão, sua co-irmã Época, reforça o tema sem nenhum destaque para a chegada do outro misionário George W. Bush.

Em outra edição de Época: A parceria do álcool combustível pode significar para o Brasil um passo de envergadura semelhante, ou até maior, ao dado por Getúlio .

 

1.3 Revista Isto É

A quarta capa de revista analisada surpreende ao ponto de poder ser comparada à proposta de Caros Amigos, porém de forma mais sensacionalista. A linha editorial de Isto É tem se revelado, ao longo dos anos, promotora de escândalos, responsável por aberturas de CPIs na esfera nacional, portanto de caráter explosivo e provocativo. O texto acessado durante a pesquisa na versão online da revista é denso e explícito no que diz respeito a revelar  interesses norte-americanos a partir do evento da visita do seu presidente. As fotos publicadas sugerem na figura de Geoge W. Bush um ser vindo das trevas ocultando principais objetivos, o exagero da figura na capa da edição de 7 de março, que chega a ocultar a marca do veículo, quase expandi-se além dos limites físicos da publicação. A chamada para a matéria principal ao centro da capa conduz o leitor a um  esclarecimento do fato da repentina visita . É a única revista da ocasião a dedicar tal destaque ao evento Bush no Brasil.

 

 

2- Internet

Num ambiente, ao meu ver, mais democrático nos sites do tipo observatório e blogs, não ocorrem a economia de textos, assim como revistas do tipo Caros Amigos estes se apresentam densos e com aprofundamentos das questões. Por vezes encontramos charges e fotos reproduzindo conteúdos veiculados pela grande mídia. Geralmente as fotos originalmente já possam sugerir sátiras, as mesmas eventualmente sofrem distorções de interpretação e até análises que se aprofundam tecnicamente tendendo a um humor não muito saudável e  recebendo o mesmo valor  iconográfico de uma  charge. Porém é necessário ter cuidado com a responsabilidade desses veículos. Muitos blogs, não apresentam seriedade suficiente e usam do recurso copy/paste sem nenhum critério. O compromisso de autores de matérias dos principais veículos de comunicação esparraman-se pela web reforçando o compromisso com conteúdo impresso em sua coluna impressa do dia anterior.

 

 

 

 

 

 

 

 

Blog Josias de Souza – Folha de São Paulo:

O caso da Folha de São Paulo , caracterizado por um jornalismo denso e mais distante dos concorrentes à direita, enriquece a pauta de discussão de assuntos relevantes com dados mais precisos e conteúdos incisivos. Apesar do material iconográfico trabalhar como os demais veículos. No blog da folha, a maioria das fotos não disponibilizam legendas, a foto já basta para encaminhar à reflexão.

 


As  principais matérias levadas ao ar pela tv aberta se mantém como um eco no ambiente da internet. O destaque do noticiário da maior rede de tv  do Brasi,l por ocasião da passagem de Bush pelo Brasil, tende  reforçar a idéia de uma imagem generosa e amistosa e até um certo  carisma do ilustre visitante. Duplicação das imagens de sua visita a uma comunidade no Rio de Janeiro estão disponíveis   mesmo para os não assinantes do serviço online. A diagramação do site trabalha com a identidade visual do noticiário televisivo, o  longo texto não se torna o principal elemento pois o apelo do evento em vídeo  e a possibilidade da imagem em movimento é um atrativo para o usuário menos interessado no teor da matéria.

“Bush chamou o presidente Lula de “amigo” e disse que o Brasil serve de exemplo para outras democracias. “- Site do Jornal da Globo

 

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3 - Na imprensa internacional

Os protestos contra a visita do presidente americano George W. Bush ao Brasil dividiram o espaço do noticiário internacional com o acordo sobre o etanol. A rede de TV CNN transmitiu ao vivo os discursos dos presidentes americano e brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. A cobertura destacou o pioneirismo do Brasil na área dos combustíveis alternativos, assim como as manifestações em São Paulo. A informação é do Jornal Nacional.

Na imprensa escrita, o New York Times afirmou que os protestos são contra a formação de um mercado internacional do etanol. E definiu a viagem como um "confronto entre o capitalismo de George W. Bush e o socialismo de Hugo Chávez".

Segundo o uruguaio La República, Bush é "o imperador de um mundo onde só há uma verdade". Na Europa, o diário francês Le Monde disse que o presidente americano não consegue convencer a América Latina de que a intenção dele é humanitária.

Na Inglaterra, o Independent afirmou que Bush e Chávez se confrontam numa "batalha pelos corações e mentes dos latino-americanos". Já o Guardian afirmou que tudo o que a Casa Branca quer é diminuir a impressão de que os Estados Unidos se isolaram de seus vizinhos desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

 

 “Depois da visita do presidente Bush ao presidente Lula no início de 2007, as discussões sobre a substituição pelo etanol do consumo da gasolina no sistema automotivo norte-americano ganharam manchete e o antigo Proálcool brasileiro ganhou foros de figurino internacional. No entanto, a matriz da economia política do Proálcool brasileiro não aparece na grande mídia com as tinturas reais das relações econômicas e sociais que produz e reproduz. Por isso, a discussão em geral escapa para uma versão estritamente mercantil privada quando, na verdade, é o custo social da opção “Brasil, grande canavial” o grave problema que se nos coloca no presente.” Correio da cidadania - Guilherme C. Delgado 13-Set-2007 www.cooreiodacidadania.com.br

 

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CONCLUSÃO

“A esquizofrenia é como o amor: não existe nenhuma especificidade ou entidade esquizofrênica, a esquizofrenia é o universo das máquinas desejantes produtoras e reprodutoras, a universal primária como realidade eesencial do homem e da natureza”

( Deleuze1996,11,).

 

A mídia está ligada à capacidade de construção da representação, de formar opinião e servir de referência para o que é realidade.Mas qual das realidades? Ela é apenas uma?...Isto é que começamos a questionar quando hoje com as transformações pelas quais a sociedade brasileira tem passado. Os principais jornais chamados de “referência” no Brasil, são de quatro ou cinco grupos. A tiragem e a circulação deles, têm uma desproporção imensa. Há uma supervalorização  da importância da mídia impressa. Bernardo Kucinski [jornalista e professor da USP] fala que a elite dominante é, ao mesmo tempo, a fonte, a protagonista e a leitora das notícias, e os dados indicam que isso é verdade.

Há uma realidade nacional diferente da que essa mídia produz, o cotidiano das pessoas é diferente. Ao ter o olhar sensibilizado pelas imagens e demais componentes gráficos que constituem as capas desses meios ,observamos que a interpretação do enunciado, a conotação negativa a qual as capas em estudo estão ligadas deve-se à seleção, muitas vezes intuitiva e inconsciente, dos componentes gráficos  pelo leitor e posterior compreensão desse plano da expressão. A conotação propriamente dita realiza-se no plano do conteúdo, por meio do julgamento individual ou coletivo do enunciado exposto.  O leitor necessita de um vocabulário de representações que se integre às informações concretas e circundantes contidas nas capas dos veículos impressos. Por outro lado é curioso observar, numa banca de rua daquelas que disponibiliza de forma organizada para os “leitores de capa”, os jornais do dia. Nos centros urbanos  grupos desses leitores de capa se revezam a cada instante apenas para “ver” essas capas e tecer breves comentários baseados nas mensagens. Destaco que o fato já me intriga a um certo tempo.

Comparando os lançamentos mais recentes: tablóides Expresso da Notícia (O Expresso foi criado para atender às classes C/D do Rio de Janeiro, que representam 64% da população) e Meia hora,  seu concorrente direto , ambos lançando mão de vendedores ambulantes ao longo das estações de trem do subúrbio desta capital e com custo reduzidíssimo e  pouquíssimo texto proporcionando  um vazio de informação política e econômica. Merecem destaques nesses veículos , ações policiais, televisão, promoções, celebridades, futebol e nus femininos. Neles observo a resumida informação contida , mesmo nas páginais internas, é como se todo o conteúdo do jornal fosse uma grande capa dobrada em páginas. Aquele “leitor de capa” de baixa renda que não tem tempo, dinheiro nem interesse no aprofundamento de outras questões resolve-se com este tipo de noticiário.

 A Revista da  Semana recentemente lançada pela Abril Editora vem com o  subtítulo : mais informação em menos tempo e com o slogan ”tudo que você quer saber em menos de uma hora por semana”. Menos de uma hora por semana, este  foi o que restou para o cidadão se “informar” um tanto mais se comparamos com os dois tablóides citados anteriormente.

 

 

“Agora você não precisa mais ir atrás de todo o noticiário para se atualizar por completo. A Revista da SEMANA faz isso por você. Apresenta os fatos mais importantes da semana, selecionados pelos editores da Abril, de forma original e inteligente. É a revista que acompanha seu ritmo de vida para tornar sua semana ainda melhor.Periodicidade: Semana”l- www.revistadasemana.com.br

 

Em Peirce verificamos  que  o simples fato de estarmos vivos existindo, significa, a todo momento, que estamos reagindo em relação ao mundo. Existir é sentir a ação de fatos externos resistindo a nossa vontade.

Para estes veículos usarei o termo veículos/pôsteres. Justifico através do uso excessivo de cores, pouco material textual e praticamente nenhum aprofundamento, o que não estimula nenhuma reflexão ao leitor. Embora  entendendo  estes leitores como participantes daquelas capas expostas, num ato como que diante de espelhos, são eles se  enxergando  no noticiário ora se identificando com os relatos mais comuns que fazem parte do dia a dia da sua comunidade ora postados diante das bancas contemplativos com as celebridades  instantâneas ou indignados com cifras reveladas por algum golpe – ambos distantes da sua realidade local. Naquele  ambiente urbano conturbado a pressa da chegada ao local de trabalho é neutralizada por este breve momento. A mídia descartável desses veículos/pôsteres segue as regras do capital , fazendo-o sujeito principal da informação: “Veja rapidamente esta capa  e siga adiante para o seu local de trabalho, esqueça tudo em volta e perca-se principalmente de você.” A velocidade do contato com estes veículo/pôsteres me faz , numa tentativa de aprimorar o conceito , elevá-lo como Deleuze à categoria de máquinas, vislumbro então as máquinas-carimbo que objetivam estampar imagens cerebrais diariamente sem muito acréscimo de novas informações, ritmadas e alienantes.

 

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JORNAIS IMPRESSOS



Segmentação do mercado de jornais no rio de segundo o site Infoglobo responsável pelos veículos à esquerda mostrados no diagrama.


  1,7 milhão*       304 mil*

*leitores

POPULARES

  3,2 milhões*     1,9 milhões*


*leitores

COMPACTOS


REVISTAS

CARTA CAPITAL Edição 435: Jogo pesado no tanque por André Siqueira ;“O líquido precioso, aos olhos de George W. Bush, é o combustível capaz de garantir o abastecimento futuro dos motores da maior nação capitalista do mundo... ...Bush quer diminuir a dependência do petróleo com o etanol brasileiro.”


 




Bibliografia

ARENDT, Hanna. A Condição Humana. 8a edição, Rio de Janeiro, Forense, 1997

BOUDRILLARD, Jean. Televisão/Revolução: O caso Romênia, in Imagem Máquina, ( Org. André Parente), rio de Janeiro: Editora 34, 1996

DELEUZE,Gilles.GUATARRI, Felix. O Anti-Édipo, capitalismo e esquizofrenia,tradução de Joana Moraes Varela e Manuel Crrilho.Ed. Assírio e Alvim Lisboa . 1966

DELEUZE, Gilles. GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo,Vols. 1 . Ed 34. 2004

DEBORD,Guy . A Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro, Contraponto, 1997

FLOCH, Jean Marie. Semiótica plástica e linguagem publicitária. Tradução: José Luiz Fiorin. In: Significação: revista brasileira de semiótica. São Paulo, nº 6, p. 29-60, jan. 1987

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência, Rio de Janeiro: Editora 34,1994

NOGUEIRA, Cristine. A tele-visão coletiva da imagem: possível usina para uma linguagem gráfica e simbólica – dissertação Mestrado em Design PUC-Rio 1998 e Papel Virtual Editora, 1998

PEIRCE, Charles S. Semiótica, Col. Estudos 46,Ed. Perspectiva;

PELBART, Peter Pál. Vida capital: Ensaios de biopolítica. São Paulo, Iluminuras. 2003

WALTHER,Bense Elisabeth. A teoria geral dos signos : introdução aos fundamentos da semiótica / Elisabeth Walther-Bense ;[tradução Pérola de Carvalho]. - São Paulo : Perspectiva, 2000

 

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TESES, MONOGRAFIAS E ENSAIOS

FRAZÃO, Samira Moratti.O papel da verdade no jornalismo - em:http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/ensaios7_c.htm

SANTOS, Marielle Sandalovski.Papa João Paulo II clama por socorro:
a semiótica plástica em capas da Veja
. Escola de Comunicação  ,USP-http://www.eca.usp.br/pjbr/arquivos/monografia7_a.htm

 

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SITES CONSULTADOS

http://www.revistaforum.com.br

www.folha.com.br

http://www.multiverso.com.br

www.correiocidadania.com.br/

http://www.revista.criterio.nom.br

http://www.rizoma.net/

 

 

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JORNAIS E REVISTAS IMPRESSAS

Jornal O Globo ,

Isto É, Editora Três

Revista da Semana, Editora Abril

Veja, Editora Abril

Piauí, Editora Abril

Época, Editora Infoglobo

Carta Capital, Editora Carta Capital


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O material jornalístico pesquisado foi levantado a partir de sites de diversos órgãos de mídia que de uma forma ou de outra contribuem como formadores de opinião.

Hoje, o Brasil tem 6 grandes redes nacionais de televisão e 400 emissoras de televisão regionais que operam em todas as Capitais do Brasil, em algumas delas reproduzindo a concorrência de 6 outras redes

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Segundo o site eletrônico www.multiverso.com.br Caros Amigos é uma revista brasileira de informação de periodicidade mensal. A revista, de orientação editorial de esquerda, é publicada desde abril de 1997 pela Editora Casa Amarela. A fórmula editorial da revista consiste na publicação de uma entrevista com personalidade de destaque, diversas colaborações de nomes representativos do pensamento de esquerda no Brasil, reportagens, um ensaio fotográfico e da opinião dos leitores.

“O Expresso é dirigido aos leitores que não têm o hábito da leitura diária do jornal e querem se manter informados, porém não dispõem de muito tempo para ler. Consumidores que gastam horas em transportes coletivos, transitando de casa para o trabalho e do trabalho para casa, e buscam a informação de maneira rápida, fácil de entender e barata.” Retirado site http://www.infoglobo.com.br/

 

 

Trabalho apresentado em "O lugar do design na leitura " curso de pós-graduação PUC RIO . Outubro de 2007

 


 

 

Outros textos de Carlos Jorge de Souza:

ÓBVIOS OBJETOS

Nelson Leirner e a hierarquia

A peleja do cantador e a midia marvada

Máquinas carimbo

O arrasamento do Morro do Castelo

Rio de Janeiro, uma cidade esquizofrênica

Veja também: Women in art - vídeo de Phillip Jonhson

 

 

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